Morto! Negro cadáver
de guerreiro agora não vivo
A honra lhe preenche os espaços
deixados pelo sangue e alma
expurgados na luta pela vida
Corpo!
Negro guerreiro
de todo tomado
e completamente afogado
em sua morte
Negro!
Morto guerreiro
a umidade leitosa da dor
ainda lhe molha o rosto
no corpo outrora não morto
na carne agora sem cor

Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.Mario Quintana
tempo curvo
declinado ao medo
impérvio
o desejo lhe prende à vida
dessa forma
trôpego
o dorso amortecido pelo frio
e uma angústia
retida não se sabe como
velada
quase clandestina
tangendo o que pensas ser vontade
e súbito és tomado pela queda
e o incerto te cabe à mão
o que resta é fechar os olhos
e sentir a chuva no rosto
Foto: Carolina Noronha